quinta-feira, 30 de julho de 2009

"Todo nego é gaiato"

Hoje, em uma das minhas aulas escutei a seguinte expressão: "Todo nego é gaiato*". Um dos alunos fez uma palhaçada qualquer na aula e um de seus colegas o replicou em voz alta. Chamei a atenção de ambos, mas principalmente do aluno que proferiu a frase preconceituosa, mesmo sabendo que eles eram amigos. Ao analisar a situação percebi que os dois alunos tem origem negra, o que chama mais atenção do acontecimento. Sei que isso não é novidade pra ninguém e que esta mais presente na sociedade do que imaginam os que dizem combater o preconceito racial no Brasil, mas o que aconteceu nessa sala de aula é um exemplo extremamente pertinente das proporções atingidas por tal preconceito e de como ele vem sendo tratado de forma equivocada. O preconceito contra o negro no Brasil não parte somente dos brancos, ou dos mais claros, quase não temos pessoas da etnia branca, devido a miscigenação do nosso povo, mas parte e, talvez, principalmente dos próprios negros e isso apesar de acontecer a muito tempo é ainda mais preocupante do que o preconceito que parte das outras etnias.
O assunto é sério, delicado e muito antigo. deveríamos ter tido politicas públicas que realmente fizessem diferença e conseguissem aumentar a auto-estima dessa parcela da população. Enquanto isso perdemos tempo com politicas paliativas que degrinem a figura do negro e legitimam o preconceito, tais como as cotas universitarias instituídas por um governo que se diz combatente das desigualdades.
Esse tipo de situação é inaceitável e não deve ser incentivada.

*Adjetivo
Singular Plural
Masculino gai.a.to gai.a.tos
Feminino gai.a.ta gai.a.tas
gai.a.to

travesso
1976. CHACAL. In: Heloisa Buarque de Hollanda. 26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2007. p. 223.
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa
malicioso
brincalhão

4 comentários:

Unknown disse...

Acho que não é uma questão de incentivar ou não, nesse caso. Concordo plenamente que política de cotas é uma palhaçada, não passa de uma ridicularização camuflada. Mas também não acho que se deva levar tão a sério essa problemática de racismo quando se trata apenas de um simples preconceito ou brincadeira. Discriminação é sim, algo repreensível e até retaliável, mas o preconceito, no sentido cru da palavra, para mim não passa de liberdade.

Raul Navarro

João Luzardo disse...

Raul, eu discordo de você em um ponto. Quando você diz que não se deve levar a serio esse problematicaquando se trata apenas de uma brincadira, ou simples preconceitos, eu acredito que devamos ponderar os seguintes aspectos, primeiro, nenhum preconceito, no sentindo de carrergar uma uma postura discriminatoria não é simples, como você salientou, esse tipo de atitud deve sr repreendida e retaliada. Segundo, essa simples brincadeira é extremamente carregada desses conceitos, ou preconceitos discriminatorios, e se lembramos de todas as mazelas causadas por esse preconceito, em particula, qualquer pessoa com o mínimo de discernimento julgaria inapropriada. Terceiro, e talvez mais importante, esse simples ato incentiva e, talvez, legitime pessoas não negras, já que no Brasil é dificil falar em branco, a usarem a mesma expressão e isso, certamente, não seria encarado com a mesma naturalidade.

Fred disse...

Porque a maior parte da sociedade pobre, miserável é negra? Por incapacidade?
Ou por que sempre foram discriminados pela cor e pela própria situação social anterior, quando eram escravos?
Você se imagine com um ser humano ao seu lado fazendo as coisas chatas, que você não gosta?
Hoje, quando o Ministério do Trabalho pega numa destas fazendas no fim do mundo, seres em verdadeira escravidão, o que ele faz?
Obriga o dono a pagar o que deve e indenizar por exploração.
Os negros não tiveram o Ministério do Trabalho para lutar por eles. E continuam a margem da sociedade por não ter como sair de lá.
As cotas não são raciais.
São cotas de justiça, para quem faz o trabalho sujo e pesado da sociedade.

João Luzardo disse...

As cotas raciais são medidas paliativas que estão superpopulando as universidade e não melhoram em nada a educação, muito pelo contrario, ela diminui o nível dos úniversitarios e, consequentemente, das universidades.O único meio de superar esses problemas é o investimento em educação.Isso não é cota de justiça, ínjustiça contra as outrs pessoas que tentam ingressar na universidade e legitimar o passado e a situação de preconceito que existe hoje.