quinta-feira, 4 de junho de 2009

Psicologia de um Vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

2 comentários:

Matador disse...

03, Filosofia de Latrina. afffff...

João Luzardo disse...

Meu caro Gustavo, receio ter que dizer que esse odor repugnante exala do seu comentário, já que Augusto dos Anjos não é uma filosofo, nem nunca se pretendeu como tal, mas um poeta, de primeira grandeza, diga-se de passagem. Logo acredito que o senhor deve-se pensar mais, ou melhor dizendo, procurar conhecer melhor objetos que o senhor procura discutir.

Atenciosamente, João Luzardo.